Blog do Liu


Fotografia e conhecimento

A comunicação possibilita ao ser humano a vivência em sociedade. Conhecer o universo comunicacional dá margem a um entendimento melhor do ser, em si, e de suas relações. Nesse sentido, faz-se necessário a utilização de todos os seus suportes nessa busca do auto-conhecimento, do conhecimento do outro e, da mesma maneira, do conhecimento do mundo que o rodeia. Esse ato de conhecer-se, e aos outros, é inerente ao ser humano, dado à curiosidade que o delineia desde a sua concepção. Para Paulo Freire¹, devemos buscar sempre uma curiosidade epistemológica. Aquela curiosidade que leva à construção de uma ciência.

Podemos pensar multiplicidades de formas para conseguir determinado conhecimento. A tecnologia auxilia nessa caminhada (acredito que seja seu maior propósito) quando oferece representações da realidade que nos cerca. Como o signo é a base de toda comunicação, a representação, principalmente imagética, que as próteses tecnológicas oferecem, nos coloca diante de uma situação vivenciada. Se não por nós, pelo menos pelo fotógrafo e os personagens que a compõe. Ou, ainda, nos transporta para outra realidade, esta ficcional, produzida intencionalmente. Nos dois casos, o imaginário tem um papel fundamental.

A fotografia digital chega, como um furacão, transformando (se não, abalando) uma relação quase secular (no entanto, sagrada) com a imagem. A instantaneidade sempre perseguida que já era possível com o Polaroid, tornou-se mais viável ainda. A isso se soma a efemeridade dos dias atuais. Fotografa-se tudo, da mesma forma que se deleta tudo. Esse jogo já reflete um pouco das relações com o dispositivo fotográfico. Mas a acessibilidade a essa tecnologia facilita a curiosidade que contribui à epistemologia, como sugeria (e sugere) Paulo Freire.

 

 

 

Nesta fotografia de Daniel Feliciano, postada no blog: http://fotografeiros.blogspot.com/, podemos perceber que a relação com a imagem fotográfica toma outro rumo. Esse, mais democrático, ou, ainda, mais horizontalizado, vai permitindo outros olhares sobre a realidade. Olhares desprovidos de pré-conceitos (ou mesmo já carregado de alguns deles) que se lançam sobre as experiências que cada ser presencia. Um movimento singular que permite um (re)olhar instantâneo do que foi vivido. Mesmo que o deletar da cena seja inevitável, a captura já foi uma escolha. Um (re)corte da experiência. Isso, a meu ver, é uma das contribuições da fotografia para a sociedade. Oferecer “momentos”, congelados, de uma realidade vivida que podem ser pensados e (re)pensados a qualquer instante. Porém, só usufruímos desse direito se mergulhamos na imagem. Que as novas gerações, ao se jogarem no universo imagético, aprendam também da necessidade da imersão nas imagens produzidas. Só assim a FOTOGRAFIA vai conseguir contribuir com a construção do conhecimento humano e do mundo que o (e a) circunda.

 

¹FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Ed. Terra e Paz, 1997.

 

 

Luiz Liu 

São José dos Campos-SP

12/03/2008          



Escrito por Luiz Antonio Feliciano (Liu) às 11h06
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Dúbios Fotográficos

Diversos teóricos já discutiram sobre as possibilidades interpretativas de uma imagem. Charles S. Pierce (1839-1914) já classificava a fotografia como um hipoícone, dado o seu grau de semelhança com o objeto representado. Essa analogia com o real, por vezes, incapacita um reconhecimento pleno da realidade capturada. Mas a fotografia não é essa vilã. Ela não pode assumir toda a culpa.

Toda representação, pelo seu propósito, carrega significados e, para tanto, carece de significações. E isso se implica na recepção do signo. Nesse ponto, Ferdinand Saussure (1857 – 1914) já apontava para a “massa flutuante de sentidos”. Outros sentidos que podem vir, como rêmoras, acompanhando o sentido principal. Talvez por isso a comunicação seja tão fascinante.

A fotografia carrega também esses sentidos e cabe ao receptor um mergulho mais profundo na busca de um significado mais consistente e próximo da realidade. Se essa significação se encontra no receptor, como dar um valor maior a uma imagem em relação a outras, a ponto de oferecer um prêmio, qualquer que seja?

Foi publicada hoje (08/02/2008), em vários sites, uma imagem do fotógrafo Tim Hetherington, da Vanity Fair. Essa fotografia ganhou como a melhor foto do ano pela World Press.

Fonte: http://noticias.br.msn.com/fotos?cp-documentid=3229859&imageindex=1#3229859  

 

Fonte: http://noticias.br.msn.com/fotos?cp-documentid=3229859&imageindex=1#3229859

acesso 08/02/2008

Segundo Gary Knight, presidente do júri, "A imagem mostra a exaustão de um homem e de uma nação".

Podíamos ficar horas e horas discutindo ou mesmo divagando sobre essa imagem. Porém, o que me chama a atenção é o critério usado como avaliação para determinar tal escolha. Principalmente quando esse valor se refere ao melhor do ano. Não sei qual categoria, nem outros detalhes da referida avaliação, apenas chamo a atenção a que Saussure e Pierce já destacavam, ou seja, os outros sentidos dos signos e, conseqüentemente, os que a fotografia permite. Se o critério de avaliação é a ideologia proposta pela imagem, acredito que outras imagens devam, da mesma forma, merecer tais menções, como a fotografia de Mark Humphrey/AP. O semblante do rosto do bebê Kyson Stowel, de 11 meses, que já carrega a tristeza da dor da perda.

 

Fonte: http://fotos.noticias.bol.uol.com.br/imagensdodia/20080208_album.jhtm?abrefoto=12

acesso 08/02/2008

 

            Com prêmio ou sem prêmio, menção ou sem menção, o importante é que a fotografia continue fazendo o que ela faz de melhor: Oferecer questionamentos... Porque de respostas nós já estamos cheios... Principalmente aquelas que não dizem NADA.

 

Luiz Liu

São José dos Campos-SP

08/02/2008



Escrito por Luiz Antonio Feliciano (Liu) às 19h08
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Apenas como abertura

É uma experiência um tanto nova a possibilidade de colocar as idéias e os pensamentos num universo em que todos têm acesso a todo instante e em qualquer lugar. Talvez não nos damos conta da utilidade (e responsabilidade) que isso traz. Mas para alguns, como isso já está quase ultrapassado, se torna uma tarefa simples (e rotineira). Porém, para outros, "dar a cara a tapa" é um martírio, um tanto prazeiroso, confesso... No entanto, já que a tecnologia está aí para nos auxiliar (e isso, acredito seja o sua finalidade maior), por que não usufruírmos de toda sua potencialidade. Se a internet torna o mundo tão pequeno, a ponto de nos desterritorializarmos, porque não fazer com que nossas idéias cheguem a todos (com acesso, é claro) e em todos os lugares (com receptores, é claro também). Creio que esse seja o grande propósito de se blogar um texto, uma imagem, um vídeo... fazer com que consigamos contribuir com alguém, em algum lugar. Uma contribuição para um crescimento ou uma mudança de olhar ou, melhor, um (re)olhar sobre as coisas e suas relações. Minha proposta de blog é essa "contribuir, de alguma forma, para um outro olhar. Esse, espero, mais reflexivo sobre as coisas, as relações, a vida, o mundo, a comunicação e, sobretudo, a FOTOGRAFIA". 



Escrito por Luiz (Liu) Feliciano às 16h31
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